Bioenergia Brasil participa de diálogo sobre descarbonização do transporte marítimo promovido pela CNI

Foto: Gilberto Sousa/CNI

A regulamentação internacional da descarbonização do transporte marítimo, em discussão na Organização Marítima Internacional (IMO), representa uma oportunidade estratégica para o Brasil fortalecer sua competitividade e consolidar o protagonismo dos biocombustíveis na transição energética global. Com uma nova etapa decisiva das negociações prevista para dezembro de 2026, representantes do governo, da indústria, do setor produtivo e da navegação se reuniram nesta terça-feira (4) para defender a construção de uma posição nacional unificada capaz de influenciar o debate internacional.

O encontro “Diálogo sobre a Descarbonização do Transporte Marítimo, Competitividade e Sustentabilidade da Indústria Brasileira” foi promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Ministério da Defesa e com nosso apoio institucional. O evento reuniu dirigentes da indústria, representantes do Conselho Temático da Agroindústria (Coagro), integrantes de diversos ministérios e lideranças empresariais em Brasília.

Mário Campos modera painel sobre o etanol como solução imediata

O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, moderou o painel dedicado ao papel do etanol na descarbonização da navegação. Durante sua participação, destacou quatro pilares considerados essenciais para o avanço da agenda: regulação, infraestrutura, desenvolvimento de mercado e cenário geopolítico internacional. Segundo ele, o setor produtivo brasileiro está preparado para transformar o país em referência mundial no fornecimento de etanol para o transporte marítimo.

Foto: Gilberto Sousa/CNI

Governo reforça compromisso com a pauta

O encontro contou com a participação do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que classificou a iniciativa como inovadora e estratégica para ampliar a competitividade do país. O comandante da Marinha, Almirante Marcos Sampaio Olsen, também esteve presente e defendeu a construção de uma posição nacional coesa, capaz de promover prosperidade econômica aliada à sustentabilidade ambiental. Já o presidente do Coagro, Pedro Robério Nogueira, destacou que a agenda transcende governos e deve ser tratada como política de Estado.

Foto: Gilberto Sousa/CNI

Um tema estratégico para a economia brasileira

Como cerca de 96% das mercadorias brasileiras exportadas, em toneladas, são transportadas por via marítima, a definição das futuras regras internacionais poderá impactar diretamente a competitividade da economia nacional. Por isso, o Brasil tem acompanhado ativamente as negociações na IMO, por meio da atuação do Ministério da Defesa, da Marinha do Brasil e do Ministério das Relações Exteriores, buscando garantir que as características da economia brasileira sejam consideradas na construção do novo marco regulatório.

Representantes da cadeia produtiva do etanol reforçaram, ao longo do encontro, que o combustível é uma solução pronta para contribuir com a descarbonização da navegação. Tomás Manzano, CEO da Copersucar, afirmou que o etanol produzido no país pode reduzir em até 75% as emissões de carbono em comparação aos combustíveis fósseis utilizados atualmente. Gustavo Leite, da Inpasa, destacou que já existem cerca de 440 navios aptos a operar com etanol – sinal de que o mercado já começou a se estruturar.

Posição nacional unificada

Para a Bioenergia Brasil, a transição energética no transporte marítimo precisa ser conduzida de forma gradual, racional e economicamente sustentável, preservando a competitividade da indústria brasileira e reconhecendo o papel estratégico dos biocombustíveis produzidos no país. Seguimos na articulação entre governo e setor produtivo para consolidar uma estratégia nacional coesa diante da IMO.